Ilustração: Fernando Vicente

Ilustração: Fernando Vicente

Espelho descoberto
E o escárnio transparente
No espanto que tudo encobre

Deitada na música,
Descrente da mímica
Desafia a imagem que não se reflete
E, no entanto, sobe e desce
Pelos porões da dúvida

Grita os escuros
Ri as feridas
Canta os outros mundos
Desmaia, quase incerta de si
No pedaço púrpura do dia

Depois
Desperta entre marias-sem-vergonha
Pálidas e inocentes como o recém parido
Que nunca espera o que não há

Alma, essa fratura exposta
Que se alimenta dos fantasmas
Do próprio purgatório