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No fim, bem no fim, o amor não era o estrondo, nem vendaval que bagunçasse os cabelos e o peito. Não eram as ondas gigantes que arrastavam e afogavam. Não era enlouquecimento e nem um desatino. Não era areia movediça nem deserto. O amor não gritava, não corria, não gesticulava. Não fazia redemoinhos nem a matava eletrocutada. Não era insônia. Não era ansiedade. O amor não era vermelho. O amor não era o absurdo.

No fim, o amor era isso: essa coisa translúcida, tranquila, silenciosa. Essa brisa morna que envolvia e acalmava. O amor, no fim das contas, era essa coisa serena que ela não sabia nominar. Essa desnecessidade de presença, de orbitar e ser orbitada. Amor, afinal, era uma alegre quietude. Uma certeza na vastidão do tempo e do espaço. O amor, esse deslumbramento, era saber o outro bem e estar feliz apenas por isso. Era um encantamento, uma suspensão, uma epifania. Era o amor, afinal, amor. Agora ela sabia.